Lídia Cavalcante[1]
Há discussões teóricas longas sobre a natureza objetiva ou subjetiva do voto. Ao se fazer uma memória do comportamento eleitoral brasileiro, pode-se identificar “padrões” nas motivações para o voto, tais como: personalidade, favores, compra e venda, coerção, etc. Esses padrões reforçam a idéia de que o ato de votar é orientado em grande parte pela subjetividade, ou seja, pela maneira como cada pessoa vê sua realidade e julga ter seus interesses atendidos por determinada proposta. A sociedade da informação em que vivemos, produz e reproduz pessoas com acesso amplo a dados e, embora a totalidade da sociedade não tenha acesso direto e homogêneo à tecnologia, também sofre influência secundária da mesma, pois o que é veiculado nas mídias passa de pessoa a pessoa em conversas particulares ou coletivas.
Nos anos 2000, o voto de orientação ideológica não é mais definidor do cenário político, pois a escolha do representante apresenta-se individual e baseada nas tendências da sociedade, nos padrões de comportamento de micro-segmentos.
Grupos que representam porcentagens mínimas em relação ao todo, mas que revelam posicionamentos hegemônicos em seus círculos acabam por constituir o novo perfil do eleitorado, que é heterogêneo, informado e crítico, pois discute seu cotidiano entre os que se identificam com questões comuns.
O voto em personalidades, característico da cultura política brasileira, é agora definido quase na proporção “um a um”, em que o candidato deverá diversificar seu discurso a fim de que possa atingir a maior parcela possível dessa heterogeneidade dos eleitores.
Estamos vivendo e votando em um momento histórico e político caracterizado por uma massa de cidadãos/eleitores informados, alertas, relativamente instruídos e embasados, que nem de longe representam os “tolos” que as lideranças alienadas muitas vezes teimam em crer. Porém, convém continuar observando por que nossos representantes ainda não assumiram posturas mais qualificadas para atender a esse “novo eleitor” que vem se construindo.
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Categoria: Comportamento Eleitoral
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