Lídia Cavalcante[1]

 

É interessante ver como nossos outrora representantes ou gestores, se digladiam silenciosamente nos corredores da “pequena política”. A eleição de 2010, muito além da tão proclamada face plebiscitária, nos coloca aos olhos um esvaziamento de figuras políticas capazes ou interessadas em liderar o país. É fato que o legislativo tem cadeiras mais “confortáveis” politicamente, e a maioria dos nossos políticos prefere permanecer acomodados nelas a se lançar em aventura perigosa que é uma candidatura ao executivo. Essa “acomodação” produz ainda disputas inéditas em que há apenas um candidato concorrendo, se é que se pode chamar essa situação de disputa ou concorrência.

Mas voltando ao silêncio, no senso comum sabe-se que os barulhos eleitorais só podem ser ouvidos nitidamente pelo grande “público” por volta do mês de agosto, quando as candidaturas estão à pleno vapor nas ruas, mas na posição de observadora mais cuidadosa, vejo muitas nuvens escuras, carregadas de vaidade e sede de poder, o que não seria nenhuma novidade mas, no cenário “viciado” para o qual nos encaminhamos nessa eleição, essas nuvens mascaram uma dificuldade de manter a democracia em seus princípios básicos.

Que tipo de direito de representação temos como cidadãos e, ocasionalmente eleitores, se esse direito está “simplificado” ao ato de decidir o que seria “menos ruim” para o país ou “por exclusão, aquele com quem me identifico um pouco”, e pior ainda, não decidir pois não há adversários?

Como observadora da política, acho divertido o momento eleitoral. Sim divertido! Quem não senta em frente à TV para conhecer algumas figuras estranhas que se apresentam? Ou rir de propostas sabidamente absurdas? Mas o divertimento é coisa séria também, pois os discursos dos candidatos devem apontar suas intenções para com o possível mandato e devem ser bem avaliados, pois o chamado “voto de protesto” que vem sendo defendido nos últimos anos como forma de eleger figuras esdrúxulas ou sem qualificação para os cargos a fim de expor a indignação com a qualidade (ou falta dela) dos candidatos, promoveu quadros de representantes fracos e oportunistas que tornam a imagem das instituições políticas cada vez pior.

Espero que, em 2010, alguns políticos aprendam a ficar calados, outros a falar mais, quem sabe assumirem mais seus posicionamentos e encorajarem uma agenda positiva para os governos. Enquanto isso, vamos observar atentamente as nuvens se dissiparem até agosto.

 



[1] Cientista Política com pós-graduação em Marketing Político.

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Categoria: Eleições 2010

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