Lídia Cavalcante[1]
Essa eleição pode ser abordada de vários ângulos, a primeira que Lula não participa, uma eleição plebiscitária, dificuldades de composições partidárias, etc. O fato é que é interessante observar que, até o momento, temos duas mulheres nas chapas que disputam a Presidência da República (ainda precisamos aguardar para saber se teremos mais alguma na disputa ao cargo de presidente ou de vice), e esse fato não pode e não deve ser ignorado, posto que as mulheres ao representarem a maior fatia do eleitorado, são também uma fatia com características complexas e nada corporativistas.
Apresentar-se como “mulher de fibra” ou primeira mulher no mais alto cargo do executivo federal, não basta, é necessário ter empatia com o perfil da mulher brasileira, que não é composto unicamente de mulheres de baixa renda sem escolaridade e alocadas em subempregos, ou de mulheres que trabalham muito com pouca remuneração, muito menos de mulheres multitarefa bem-sucedidas, mães, esposas, donas de casa etc.
É urgente que as candidatas (e os candidatos) contemplem em suas propostas de governo, uma agenda feminina objetiva e tangível, que hoje vai além das questões “domésticas” como educação, moradia, saúde. Estudos sobre o novo estilo de liderança (chamado por alguns de “liderança feminina”) é baseado em participação, colaboração e responsabilidade compartilhada, e não estou vendo muito desses elementos inclusos de forma objetiva no discurso dos candidatos, pelo menos até agora.
Torna-se cada vez mais complexo o caminho para o convencimento do eleitorado, e a figura da mulher candidata, só por ser mulher não torna essa complexidade mais amena. Não estou desprezando a capacidade crítica dos homens, afinal eles vivem na mesma sociedade ajustados às mesmas regras. Estejamos atentos para as mudanças constantes, elas são valiosas.
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Categoria: Eleições 2010
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