Iniciamos um segundo turno presidencial meio confuso, nebuloso e que parece ainda sofrer da tontura do primeiro round, depois de um primeiro turno com vitória "certa" e que se tornou incerta à medida que Dilma perdia pontos e Marina apressava sua escalada percentual, impulsionada pelos respingos do mini-escândalo da Casa Civil (aliás que Ministério mais misterioso - se me permitem o trocadilho - parece que todos que sentam lá são acometidos de algum desejo oculto de se beneficiar...). A campanha de Dilma foi afetada também por boatos envolvendo questões sociais e religiosas.
Entre os consultores, costuma-se dizer que quem sai na frente no segundo turno tem maiores chances de ganhar. Eu, particularmente, prefiro o óbvio: quem sai com a melhor estratégia tem melhores chances.
Com esse olhar destaco pontos da propaganda de cada candidato.
Os programas eleitorais de Dilma parecem seguir o mesmo tom do primeiro turno, falando dos feitos do governo Lula, reafirmando que vai continuar com tudo e atacando por tabela o governo FHC. Considero um erro tal insistência nesse novo cenário. Esse posicionamento (à sombra de Lula) foi estratégico e essencial para o início da campanha, pois fixou na cabeça do eleitor a imagem de “sucessora”. Mas passado um primeiro turno que pôs à prova essa certeza, insistir torna a imagem da candidata fraca e sem substância, pois Dilma tem história de competência e gestão suficientes para imprimir força agregada à imagem de Lula. Ocorre que quando essa história é apresentada, o é de forma átona, sem significado e capacidade de impacto no eleitor. Ela é sempre "a mulher do Lula" (coitada da Marisa).
Enquanto isso, os tucanos estão se saindo bem nas propagandas, pois Serra veio com um tom positivo, utilizando mensagens indiretas ao apresentar imagens de nascimentos para falar da valorização da vida (em referência ao tema do aborto), evitando tocar diretamente em temas polêmicos.
Sua marca vem com um S de super-herói (como bem observou Aurizio Freitas) e no site da campanha sua caricatura animada está sempre no cantinho da tela, vibrando com os projetos e notícias apresentadas.
Serra assume ainda o discurso da esperança, identificado com Marina no primeiro turno, e se apropria dos eleitores órfãos da mesma Marina, que não são necessariamente simpatizantes dele, mas são opositores claros de Dilma. Marina construiu uma candidatura clara de oposição e centrou sua oposição em Dilma, em um duelo “de mulher para mulher”, deixando Serra em segundo plano (o que o favoreceu e favorece).
A jogada de mestre ocorreu na propaganda tucana de sexta (08/10), na qual uma mulher aparece chamando a atenção de Dilma para sua postura, pois estaria "ferindo' a história feminina de conquistas e luta pela independência no momento em que ela "se esconde" atrás de Lula.
Resta-nos agora observar as nuvens, ver como se movimentam, pois a disputa política só acaba quando fechar a urna.
Lídia Cavalcante
Cientista Política
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Categoria: Eleições 2010
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