O Blog do Voto publica hoje um artigo de Geovane Oliveira, consultor empresarial e governamental, além de atento observador dos acontecimentos políticos.

Boa leitura!

Aurizio Freitas
EDITOR DO BLOG DO VOTO

 

CONSTATAÇÕES SOBRE O VOTO QUE GEROU O 2º. TURNO
Por Geovane Oliveira

Tomando conhecimento do resultado das eleições presidenciais do último dia três de outubro, me surgiram algumas constatações que por ora ouso compartilhar.

A primeira é a de que mesmo um governo com altíssimas taxas de aprovação não foi capaz por si só de eleger em primeiro tempo o seu sucessor, como muitos imaginavam. Mesmo, sendo este governo liderado por um personagem midiático e personalístico como o Presidente Lula, o eleitor não deu ao Presidente tudo o que ele mais queria ou desejava: eleger sua ministra como sucessora em primeiro turno.

Outra plausível constatação é a de que a expressiva votação da candidata do PV, Marina Silva, dever ser creditada muito mais à construção de uma terceira via do que propriamente ao ideário e aos compromissos de uma agenda ambiental. Isso me leva também a imaginar o que terá se passado na cabeça de Ciro Gomes após a conclusão dos trabalhos do primeiro turno e os desdobramentos futuros da agenda política para 2014.

Constate-se, ainda, que o imponderável também faz parte da cabeça do eleitorado e que é vã a tentativa de esquadrinhá-la. Como conceder ao candidato oposicionista do governo mais popular da história do país, 33.132.283 de votos alavancados a partir de promessas contrárias à reputação de seu partido?

A única constatação da qual gostaria de ter experimentado, escorreu-me incerta pelas mãos: o resultado das eleições em seu primeiro turno reflete as escolhas de um eleitorado que consolidou a cultura do voto livre e consciente?

Vamos ao segundo turno. O que significa também constatar que temos uma nova eleição. Diferente na forma do debate, na política de alianças, na comunicação com o eleitor etc.

Tenho lido nos últimos dias, nos mais variados periódicos do país, notícias e informações sobre o aborto, a espiritualidade, a marcha pela liberdade de imprensa, os arroubos do clero, como precípua agenda que por ora se apresenta em benefício de uma oposição, que até o presente momento não apresentou consistentemente suas propostas de governo, assim como a candidata do governo também não o fez.

E concluo por fim: para o nosso amadurecimento democrático, nestas eleições presidenciais, de fato, não poderíamos prescindir de um segundo turno.

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Categoria: Eleições 2010

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