Ainda “colhendo os louros” do pseudo-debate sobre o aborto como tema mais importante e vazio do segundo turno, a postura de algumas comunidades pertencentes à Igreja Católica de repudiar Dilma e o PT continua a tomar corpo.
Os sermões que alguns padres pregavam em suas paróquias agora se transformaram em dois milhões e cem mil panfletos com o timbre oficial da CNBB.
Chamou-me a atenção a reação mais uma vez (em minha opinião) equivocada da campanha Petista de classificar os panfletos de “crime eleitoral”.
Será possível que ninguém no horizonte estratégico dessa campanha percebeu que nem insinuar que o Serra possua tamanha influência na CNBB a ponto de fomentar um documento legítimo e reconhecido pela Diocese ou, acusar a CNBB de criminosa é algo que tenha alguma lógica positiva do ponto de vista político e eleitoral.
Essas reações acabam por propagar mais ainda uma discussão que deveria ser lógica e objetiva, sobre o posicionamento a respeito do aborto, e transformam a questão em espetáculo. Na verdade, servem para fugir de qualquer tema relevante que devesse ser debatido nesse momento, que deveria ser propício, pois o aborto, apesar de ser uma questão séria e com impactos sociais em diversas esferas, representa apenas uma fatia nas questões sociais, políticas e econômicas que assolam nosso país.
Mas o que esperar? Estamos em plena sociedade do espetáculo e nenhum exemplo é melhor do que este segundo turno de 2010.
Lídia Cavalcante - Cientista Política
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Categoria: Eleições 2010
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