O Blog do Voto publica hoje um artigo de Ricardo Arraes, cientista político, historiador e professor da UFPI. Arraes atua também como analista e consultor politico no estado do Piauí.

Boa Leitura!

Aurizio Freitas
EDITOR DO BLOG DO VOTO

 

FAMÍLIA E PODER: MULHERES NA POLÍTICA PIAUIENSE
Por Ricardo Arraes

Para utilizar uma frase consolidada do presidente Lula, “nunca antes na História” do Piauí o pleito eleitoral produziu um número tão grande mulheres eleitas para a Assembléia Legislativa. A chamada “bancada Batom” será composta por seis representantes além de outra, eleita para a Câmara Federal.

Um dado que poderia soar alvissareiro, na verdade, o incremento da presença feminina na política expõe uma das faces da política piauiense: a oligarquia e um seu agregado próximo, o familismo. Todas as mulheres eleitas são parentes – esposas, filhas ou irmãs – dos políticos eleitos.

O governador reeleito, Wilson Martins (PSB) reelegeu sua esposa, Lilian Martins (PSB) para a Assembléia; o ex-governador e senador eleito, Wellington Dias (PT), elegeu sua esposa Rejane Dias (PT); o ex-deputado federal, Ciro Nogueira (PP), eleito Senador, elegeu sua esposa, Iracema Portella (PP), deputada federal; o deputado estadual Moraes Sousa Filho (PMDB), eleito vice-governador, elegeu sua esposa Juliana (PMDB) para a Assembleia legislativa. O ex-deputado estadual Marcelo Coelho (PP) teve sua esposa Margarete Coelho (PP) eleita para a Assembléia. A deputada estadual reeleita Ana Paula (PMDB) é irmã do ex-deputado Chico Filho (PMDB). Foram eleitas ainda as deputadas Liziê Coelho (PTB), esposa do prefeito de Paulistana (PMDB) e Belê (PSB).

Como pode ser observado acima, o dado novo e relevante no atual quadro é que o modus operandi se modificou, ou seja, a eleição delas não se dá com a substituição de lideranças. O que ocorre atualmente, é a eleição concomitante de maridos e esposas. Elas ocupam os cargos vagos pelos esposos que estão em processo de ascensão política.

A oligarquização na política piauiense é um dado que deita raízes na História do estado. Entretanto, ela não é uma característica local, perpassa todos os estados nordestinos e se espalha pelo país. Os resultados de três de outubro revelam que por todo o país as oligarquias saíram fortalecidas. Em geral isso se deu com a presença feminina e a eleição de filhas, esposas, irmãs e sobrinhas.

Os cenários políticos – local e nacional – carecem da presença da mulher em todos os setores. A presença feminina nos quadros políticos ainda é reduzida. O quadro que saiu de outubro último é praticamente o mesmo emergido das eleições de 2006, quase sem alterações. Na Câmara, a representação permanece em torno de 12% e no Senado, por volta de 10%. Assim, o Brasil continua sendo um dos países com menor representação feminina nas suas casas parlamentares.

A eleição de mulheres na Piauí é positiva, é claro, entretanto, este fato só não pode ser mais enlevado em face do padrão familístrico que imprime sua marca. A força dos esquemas políticos e o apoio incondicional das famílias através dos maridos, tiram um pouco do brilho do aumento do número de mulheres na bancada estadual. Enfim, fora deste padrão, as mulheres piauienses se mantém distantes das arenas de decisão política.

 

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COMENTÁRIOS   

Postado em:
Mai 01, 2011
Por:
PURA VERDADE
Meu caro voce está de parabens com este artigo é realmente uma pena que nosso estado tenha analfabetos politicos que nao possam abrir os olhos a respeito da oligarquia que se arrasta ha tempos até hj . realmente lastimavel

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Categoria: Eleições 2010

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