Lídia Cavalcante[1]
Em meio a uma das várias leituras sobre comportamento, a partir do foco das microtendências, me deparei com um artigo intitulados “Canhotos à solta”, que falava sobre o aumento percentual de canhotos nos Estados Unidos e no mundo.
Inicialmente parecia apenas mais um daqueles estudos que não dizem nenhuma novidade (principalmente para canhotos como eu), relatando a dificuldade para manusear objetos, preconceito com a diferença, etc. No desenrolar dos dados e na conclusão da discussão, o autor propõe uma reflexão sobre o modelo de sociedade que desenvolve os canhotos, uma sociedade mais liberal, na qual os pais aprendem com os filhos e estimulam o desenvolvimento de suas habilidades.
Por fim chama a atenção para o fato que, em breve, poderemos utilizar o percentual de canhotos como indicador para avaliar o grau de abertura e flexibilidade de uma sociedade. Essa discussão me chamou a atenção, não só por eu mesma ser canhota, mas principalmente por tratar de um assunto particular e da forma como isso influencia o coletivo. Essas são o que se pode chamar de microtendências, ou seja, pequenos fatores aparentemente isolados no tempo e no espaço social e que são capazes de exercer influência positiva e negativa a partir de determinados fatos.
Dentro dessa linha de reflexão, pode-se concluir o que bem poderia ser o conceito de classe em um cenário contemporâneo, ou seja, pequenos grupos de pessoas que compartilham experiências comuns podem se sentir cada vez mais atraídas para lutar por seus instintos. Essa realidade já está bem próxima de nós (embora bem disfarçada) e salta aos nossos olhos a cada dois anos, quando “escolhemos” nossos representantes políticos, ao nos surpreendemos (ou não) com os resultados das pesquisas eleitorais e das urnas, que revelam o que queremos que permaneça, o que não encontra mais lugar na sociedade e o que queremos viver daqui para frente.
É interessante perceber as mudanças na sociedade e como podemos fazê-las aparecer através de um gesto (o voto para determinado candidato) pois o 1% não representativo a que se referem as microtendências, possuem cada vez mais influência com o livre fluxo da informação possibilitado pelas mídias como a internet.
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Categoria: Comportamento Eleitoral
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