Lídia Cavalcante[1]
Comunicar é o exercício da troca de mensagens entre indivíduos. Mensagens de natureza pessoal, social, política, econômica, ideológica, cultural ou simplesmente cotidiana.
Desde o início de nossa vida biológica e social, somos “obrigados” a nos comunicar, seja na forma de sons indefinidos, gestos ou com a linguagem propriamente dita, e é dentro desse conjunto de necessidades que nascem os discursos como tradução das lutas ou sistemas de dominação dos quais fazemos parte. O discurso é essencialmente um ato político, pois está sempre transmitindo um posicionamento e promovendo uma reflexão por parte de quem o ouve. Muito se reduziu sobre a forma, a natureza e a função dos discursos chegando a torná-los sinônimo de “chatice” ou tempo desperdiçado.
Muito se pode apreender de um bom discurso – tendências da sociedade, padrões de consumo, questões críticas do cotidiano e particularidades de determinados segmentos sociais. Ressalto que o bom discurso não é aquele longo, rebuscado e repleto de enaltecimentos pessoais; é acima de tudo uma fala objetiva, clara segundo a linguagem e a cultura do público ao qual se direciona e consistente com as necessidades reais da sociedade. Apesar da proclamada “chatice” dos discursos, tem sempre uma parcela significativa que continua a ouvi-los (ainda bem) e baseia seus posicionamentos, escolhas e ações em alguma identificação com eles.
Uma sociedade que valoriza a comunicação necessita constantemente de discursos para manter a “humanidade” das idéias circulando e promovendo interação, pois é assim que mantemos a confiança e continuamos a produzir e reproduzir conhecimento, poder e participação.
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