A eleição de 2012 para a presidência francesa está em todos os jornais. Não graças a manchetes relacionadas à índices, propostas ou cenários sociais e econômicos, mas às politicamente escondidas nas entrelinhas do escândalo sexual que envolve o diretor francês do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Digo escondida por que Strauss-Kahn é o principal opositor do atual presidente Nicolas Sarkozy.

Nós, acostumados ao mundo da política sabemos que, nada como um escândalo sexual para abafar alguma notícia pior (rotineiramente envolve escândalos financeiros) ou conferir fôlego para novas estratégias de recuperação do adversário. Ocorre que, na França, a população parece não “suportar” mais Sarkozy.

Sarkozy amarga uma “queda livre” de seu índice de aprovação chegando a assumir o posto de Presidente Francês com menor aprovação da história com a marca de 645 de desaprovação em 2008 e 71% em 2010.

Seu casamento com Carla Bruni, ex-modelo e cantora, foi descrito à época como uma jogada de marketing para elevar sua popularidade, mas ao longo do tempo e das pesquisas, revelou-se que só beneficiou a popularidade dela, pois é mais benquista que ele. Em 2011, às vésperas da eleição, a gravidez da primeira-dama é anunciada e é registrado na imprensa o fato inédito de Sarkozy poder ser o primeiro presidente francês a ser pai no exercício do mandato, mas também não surtiu efeito.

A camareira de Strauss-Kahn diz ter sido abusada sexualmente em um quarto de hotel no qual o diretor do FMI estava hospedado em Nova Iorque. Mérito da questão à parte, o escândalo repercutiu a favor dele em uma pesquisa de opinião feita na França, revelando que 57% dos eleitores o consideram vítima de conspiração, visto que ele é o favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Em período eleitoral e pré-eleitoral é comum candidatos e assessores se desesperarem e tomarem atitudes precipitadas ou equivocadas com base na opinião pública favorável ou desfavorável a si ou aos opositores. Mas os números não mentem, podemos nos equivocar ao interpretá-los, mas eles sempre nos dizem que estamos no rumo certo ou é hora da retirada.

Os números da França revelam um cenário em que os eleitores precisam de renovação e não pretendem abrir mão desse direito (fato corroborado com inúmeros protestos realizados a cada medida administrativa que Sarkozy comandou no último mandato). Nesse caso, a opinião pública dita as regras eleitorais de forma clara e parece estar “imune” aos apelos midiáticos do atual presidente.

A opinião pública francesa está cristalizada, não em torno de candidatos, mas em torno de propostas. Está se usando pura emoção em um ambiente no qual a razão (traduzida pelos números) tem peso 2 e, nessa leitura Strauss-Kahn está levando vantagem.

 

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Categoria: Comportamento Eleitoral

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